O Brasil alcançou seu melhor desempenho da história no Decanter World Wine Awards, uma das competições de vinhos mais prestigiadas do mundo. No resultado divulgado nesta quarta-feira (17), o país somou 221 medalhas, das quais 78 foram conquistadas por vinhos produzidos com a técnica da dupla poda — método adaptado e validado pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e que vem transformando a vitivinicultura em regiões fora dos tradicionais polos produtores.
O avanço confirma uma mudança no mapa da produção de vinhos finos no país. Desenvolvida para adaptar o cultivo da videira às condições climáticas do Sudeste e do Centro-Oeste, a técnica da dupla poda altera o ciclo da planta para que a maturação das uvas e a colheita ocorram durante o inverno, período marcado por menor volume de chuvas e maior amplitude térmica.
Essas condições favorecem a qualidade da fruta e permitem a produção de vinhos com maior concentração aromática, boa acidez e potencial de envelhecimento, características que vêm chamando a atenção de especialistas e ampliando o reconhecimento internacional dos rótulos brasileiros.
Entre os quatro vinhos nacionais que receberam medalha de ouro na edição de 2026 do concurso, dois são produzidos em Minas Gerais. Os premiados pertencem à vinícola Casa Geraldo, de Andradas, parceira da Epamig em projetos de pesquisa aplicada para o desenvolvimento da vitivinicultura de inverno.
Os rótulos Syrah Gran Reserva Colheita de Inverno 2024 e Signature Cabernet Franc 2023 receberam 95 pontos na avaliação dos jurados. A vinícola também conquistou outras 16 medalhas, sendo nove de prata e sete de bronze.
Ao todo, cerca de 50 vinícolas brasileiras foram premiadas com vinhos produzidos a partir da técnica da dupla poda, consolidando o método como uma das principais inovações da viticultura nacional nas últimas décadas.
Além de Minas Gerais, rótulos produzidos em Goiás também figuraram entre os destaques da premiação, evidenciando a expansão da produção de vinhos finos para novas regiões do país. O único ouro conquistado fora desse modelo de cultivo veio do Rio Grande do Sul, tradicional polo da vitivinicultura brasileira.
O Decanter World Wine Awards é considerado uma das principais referências do setor. Nesta edição, as amostras foram avaliadas às cegas por um júri formado por 245 especialistas de 35 nacionalidades, entre eles 63 Masters of Wine e 24 Master Sommeliers, duas das mais altas certificações internacionais da área.
O resultado reforça o espaço conquistado pelo vinho brasileiro no mercado internacional e evidencia como o investimento em pesquisa e inovação vem alterando o perfil da produção nacional, ampliando a competitividade dos rótulos brasileiros nos principais concursos do mundo.






































