Em participação no programa Vozes da Comunidade, neste sábado (18), o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Alexandre Patury, afirmou que o enfrentamento ao feminicídio na capital esbarra na subnotificação e em fatores culturais, como o que classificou como “machismo estrutural”.
A entrevista ocorreu no quadro “Sabatina do Povo”, apresentado pelo jornalista Tony Duarte, com participação de profissionais da imprensa e de moradores de diferentes regiões do DF e do entorno.
Segundo dados citados durante o programa, o Distrito Federal registrou seis feminicídios nos três primeiros meses de 2026, além de ao menos cinco tentativas. Questionado pelo jornalista Khaio Peixoto sobre os principais gargalos no combate a esse tipo de crime, Patury afirmou que o problema exige respostas que vão além da atuação policial.
“A questão é educação. Somos a segunda capital mais segura do país em termos de homicídios, mas o feminicídio se mantém estável ou até cresce”, disse. Para ele, a dinâmica desse tipo de violência dificulta a prevenção. “Como combater o agressor que está dentro de casa? Em mais de 70% dos casos, só tomamos conhecimento quando o feminicídio já ocorreu.”
O secretário também destacou a ausência de denúncias como um fator central. Segundo ele, episódios de violência doméstica muitas vezes são percebidos por vizinhos ou familiares, mas não chegam às autoridades. “Muitas vezes alguém ouve um grito, mas não aciona a polícia”, afirmou.
Patury citou iniciativas voltadas à proteção de vítimas, como o “Copom Mulher” e o programa “Viva Flor”, que monitora mulheres com medidas protetivas. De acordo com ele, desde a criação do programa, em 2018, não houve registro de feminicídio entre mulheres acompanhadas por esse sistema.
Apesar disso, o secretário defendeu maior engajamento da sociedade. “A informação precisa chegar. É fundamental ligar 190, procurar a Polícia Civil, acionar os canais disponíveis”, disse. Ele também mencionou a importância de buscar apoio junto à Secretaria da Mulher.
A fala reforça um diagnóstico recorrente em políticas públicas de segurança: o de que, no caso da violência doméstica, a resposta estatal depende, em grande medida, da capacidade de identificar sinais prévios e romper o ciclo de silêncio que antecede os casos mais graves.







































