Na política, quase nada nasce sob os refletores. Antes de subir ao palco, os enredos são ensaiados na penumbra é ali, longe dos microfones, que o roteiro de 2026 começa a ser rabiscado no Distrito Federal.
Faltando oito meses para as eleições de 2026, os corredores estão mais movimentados do que as ruas Conversas atravessam gabinetes, cafés e grupos de whatsapp. Na tentativa de erguer candidaturas ao Palácio do Buriti, juntam-se gregos e troianos, Cains e Abéis. Porque, no tempo da política, a coerência muitas vezes cede espaço à sobrevivência.
Criou-se, nesse intervalo que antecede o pleito de 2026, uma máxima repetida em voz baixa: “amigos, amigos; projetos políticos à parte”. O mantra parece ecoar com especial intensidade no PT do Distrito Federal. A legenda, que décadas atrás ocupou o centro do tabuleiro político local, hoje se vê às voltas com uma equação delicada: preservar sua identidade ou garantir presença no jogo.
A escolha de Leandro Grass como pré-candidato ao governo foi apresentada como aposta na renovação. Mas, nos bastidores, a digestão não foi simples. Geraldo Magela, quadro histórico da sigla, nome com trânsito na militância e interlocução com o presidente Lula, viu a construção se dar sem que seu próprio capital político fosse plenamente considerado,
O problema é que o relógio não perdoa. Já são quatro eleições ,12 anos , sem que o PT ocupe cargos majoritários no Distrito Federal. Nesse período, a musculatura da legenda encolheu. A militância, se esvaiu e hoje se divide entre a lealdade partidária e o pragmatismo eleitoral.
A máxima que circula nos corredores, “amigos, amigos; projetos políticos à parte” , revela mais do que pragmatismo. Expõe a fragilidade de um partido que já não se sustenta apenas pelo discurso ideológico. Aceita-se o nome, mas nem todos o incorporam. Apoia-se formalmente, mas com reservas silenciosas.
O pré-candidato ao Palácio do Buriti,Leandro Grass, tenta consolidar seu nome na disputa, mas ainda não conseguiu transformar a pré-campanha em crescimento consistente nas intenções de voto.
Os levantamentos mais recentes ajudam a dimensionar o desafio. Pesquisa do Real Time Big Data, realizada em dezembro de 2025, mostra Grass com 13% no cenário estimulado. À frente aparece a vice-governadora Celina Leão(PP), com 40%, seguida por José Roberto Arruda, que soma 21%.
Quando Arruda não é incluído na simulação, o petista avança para 16%, mas a vantagem de Celina se amplia, chegando a 50%. Já na sondagem da Paraná Pesquisas, de outubro de 2025, Grass oscila entre 11,8% e 14,5% nos principais cenários testados, mantendo-se distante da liderança.
Diante da falta de tração eleitoral, algumas correntes internas do PT passaram a cogitar uma composição improvável: uma aliança com José Roberto Arruda, ainda que inelegível, com o PT indicando o vice — possivelmente o próprio Grass. A hipótese, que em outros tempos soaria como ruptura ideológica incontornável, hoje é debatida sob o argumento da sobrevivência.
É aqui que o dilema se torna mais latente. Um partido que construiu sua identidade política em oposição a determinados campos e personagens passa a considerar dividir o palanque com um deles. A justificativa é pragmática: ampliar competitividade, garantir espaço, evitar o isolamento.
Mas a pergunta que paira é outra: a que custo?
Se para permanecer no jogo for preciso unir gregos e troianos, o que resta da narrativa construída ao longo de décadas?
O PT do Distrito Federal chega a 2026 não apenas pressionado pelas pesquisas, mas atravessado por um mal-estar que antecede as urnas. Antes de disputar o eleitorado, precisa resolver a própria identidade. Porque, quando a estratégia passa a justificar qualquer aliança, o desgaste deixa de ser apenas eleitoral , torna-se existencial.









































