O Distrito Federal ampliou a atuação do programa Viva Flor e consolidou a iniciativa como um dos principais mecanismos de proteção a mulheres em situação de violência doméstica. Atualmente, cerca de 1.810 vítimas são acompanhadas simultaneamente pela política pública, que já alcançou mais de 3 mil atendimentos desde a criação, sem registro de feminicídios entre as participantes.
Lançado como projeto-piloto pela Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF) em 2017 e institucionalizado no ano seguinte, o programa passou por uma reestruturação recente que impulsionou seu crescimento. A partir de 2023, mudanças nos fluxos de atendimento, reforço tecnológico e maior articulação com o sistema de Justiça deram novo ritmo à expansão.
Para a governadora Celina Leão, o modelo adotado pelo DF demonstra que políticas públicas bem executadas conseguem atuar de forma preventiva. “O enfrentamento à violência contra a mulher exige ação concreta e permanente. O Viva Flor tem mostrado que, com estrutura e integração, o Estado consegue agir antes que a violência chegue a um desfecho extremo”, afirmou.
Um dos pontos de virada da iniciativa foi a diversificação dos meios de acesso. Se, no início, o acionamento era feito apenas por aplicativo, o programa passou a oferecer, em 2021, um dispositivo próprio para chamadas emergenciais. A medida ampliou o alcance da política, incluindo mulheres que não dispõem de celular ou de conexão constante à internet.
O secretário interino de Segurança Pública, Alexandre Patury, avalia que o avanço está diretamente ligado ao aperfeiçoamento da gestão. “O programa evoluiu ao combinar tecnologia com integração institucional. Isso permitiu reduzir o tempo de resposta e ampliar a capacidade de atendimento, garantindo mais proteção às vítimas”, disse.
Na prática, a integração com o Processo Judicial Eletrônico (PJe) e a atuação conjunta com as Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deams) mudaram a dinâmica do atendimento. Hoje, há casos em que a vítima já deixa a delegacia com o sistema de proteção ativado, o que encurta o intervalo entre o registro da ocorrência e a assistência efetiva, ainda condicionada à validação judicial.
A secretária-executiva interina da pasta, Regilene Siqueira, destaca que o foco tem sido dar mais eficiência às respostas. “A reorganização dos fluxos e a integração com o Judiciário permitem atuar com mais rapidez e assertividade, especialmente nos casos de maior risco”, afirmou.
O reforço institucional também passa pela renovação do acordo de cooperação entre órgãos do Governo do Distrito Federal, o Tribunal de Justiça, o Ministério Público, a Defensoria Pública e as forças de segurança, o que fortalece a atuação conjunta e padroniza procedimentos.
Os dados do programa mostram que a maior parte das mulheres atendidas tem entre 30 e 59 anos, faixa que concentra 67% dos casos. Jovens de 18 a 29 anos representam 26%, enquanto idosas acima de 60 anos somam 6%.
Na linha de frente, o Copom Mulher da Polícia Militar do DF atua com prioridade nos chamados vinculados ao Viva Flor, levando em conta o histórico e o nível de risco de cada situação. Essa atuação diferenciada garante respostas mais rápidas e acompanhamento contínuo.
De acordo com a major Patrícia Jacques da Silva, o modelo trouxe avanços no acolhimento. “O atendimento passou a ser mais direcionado e humanizado. As vítimas encontram suporte mais qualificado para interromper o ciclo de violência e retomar a própria segurança”, afirmou.
Com a ampliação da rede, ajustes operacionais e uso intensivo de tecnologia, o Viva Flor se consolida como uma política de resposta imediata no DF, com foco na prevenção de casos graves e no acompanhamento permanente das vítimas.









































