Em Água Quente, as estradas rurais, que sempre foram motivo de preocupação para quem depende delas diariamente, começam a ganhar nova vida. Uma grande operação conduzida pelo Governo do Distrito Federal vem reestruturando os principais acessos da área rural, em uma iniciativa que reúne a Secretaria de Governo, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF), a Secretaria da Agricultura (Seagri) e a administração regional.
O trabalho abrange entre 40 km e 60 km de vias de terra, distribuídos em cerca de dez a doze segmentos que formam o trajeto mais movimentado da zona produtiva local. A intervenção responde a demandas antigas de moradores, transportadores escolares e produtores, especialmente os ligados à avicultura, predominante na região.
Para consolidar o solo e evitar que a chuva destrua o trabalho logo nos primeiros meses, as equipes utilizam três tipos de material: fresado recebido do DER, RCC disponibilizado pelo SLU e o cascalho já existente nas próprias estradas, reaplicado após triagem. A combinação forma uma base mais resistente e ajuda a reduzir erosões, problema que costumava interromper o trânsito e atrasar o escoamento da produção.
De acordo com Jânio Ribeiro, da Secretaria de Governo, a ação segue orientação do secretário José Humberto Pires de Araújo para priorizar corredores rurais que sustentam tanto o transporte escolar quanto atividades econômicas.
“Os produtores procuraram o governo pedindo uma solução definitiva. A proposta foi ampliar o alcance e reforçar o tipo de material utilizado. A meta é atender até 60 km, garantindo que as estradas funcionem mesmo nos períodos mais críticos”, afirma.
A execução do serviço é coordenada tecnicamente pela Administração Regional de Água Quente. A engenheira civil Maíra Cavalcante explica que tudo começa com a correção do nível da pista. “Primeiro readequamos o caminho da água, que é o que mais destrói a estrada. Em seguida, espalhamos camadas de RCC e aproveitamos o cascalho que já estava na via. Esse processo precisa acontecer na seca, porque é quando conseguimos estabilizar o material e evitar que a chuva tire tudo do lugar”, relata.
Ela lembra que as equipes estão em campo há cerca de um mês e que, nas últimas temporadas de chuva, os trechos previamente recuperados permaneceram transitáveis. “A experiência recente mostrou que a manutenção preventiva funciona. Não tivemos bloqueios onde fizemos o serviço antes”, reforça.
Rotas de transporte escolar também estão entre as prioridades. Segundo Maíra, trechos chegam a receber até seis ônibus por dia, enquanto outros têm fluxo ainda maior.
A recuperação se estende por áreas produtivas importantes. Somente no entorno da Granja Didácio Milhomens, foram melhorados 10 km da DF-190, atendendo aproximadamente 60 famílias. Já perto da Granja do Silas, mais 4,5 km foram revitalizados, garantindo o deslocamento de cerca de 50 famílias e dos veículos que levam alunos às escolas.
Para o arrendatário Eduardo Soares Pocebom, que atua no setor avícola, a mudança foi decisiva. “O ponto mais difícil sempre foi chegar e sair daqui quando começava a chover. Agora existe uma estrutura que realmente aguenta. Nunca tínhamos visto um trabalho desse porte na região”, comenta.
Moradores relatam a diferença no dia a dia
Quem mora em Água Quente há décadas também percebe os efeitos da intervenção. Tatiana Melo de Azevedo, que vive na comunidade há 35 anos, lembra que muitas vezes o trânsito simplesmente não acontecia. “Já teve época em que os ônibus nem tentavam passar. Hoje a estrada está estável, dá para fazer os trajetos com segurança. Isso muda a nossa rotina”, conta.
Ela ressalta, porém, que a continuidade é essencial. “Todo ano precisa de manutenção, e é isso que a gente espera que continue. Quando o governo atua, a poeira diminui, os acidentes caem e os moradores ficam mais tranquilos.”
Também beneficiado pela obra, Humberto Carneiro Ramos, proprietário de um sítio na região, afirma que o tempo de deslocamento despencou. “Antes eu levava quase 20 minutos da estrada asfaltada até minha casa. Agora faço em três. A via deixou de ser um obstáculo e virou um acesso de verdade”, diz.
Atuação conjunta
A operação é dividida entre os órgãos envolvidos: a Segov coordena e dialoga com as lideranças locais; o DER disponibiliza máquinas, equipes e o material fresado; a Seagri oferece maquinário e orientação técnica; e a administração regional acompanha o andamento dos serviços e mantém contato com os moradores.
Segundo Jânio Ribeiro, esse modelo de integração tem garantido resultados expressivos. “É a determinação do governador, reforçada pelo secretário José Humberto, que as áreas rurais recebam atenção de verdade. A melhoria de acesso transforma a vida das pessoas e fortalece a produção. É isso que estamos buscando”, destaca.








































