Quando a música parou e os blocos deixaram as ruas, outra operação começou a tomar conta de Brasília. Ainda antes do amanhecer desta Quarta-feira de Cinzas (18), equipes do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) já estavam mobilizadas para enfrentar um desafio silencioso, mas proporcional ao tamanho da festa: retirar das ruas os vestígios deixados por dias de Carnaval.
O trabalho foi em larga escala. Cerca de 1.200 profissionais atuaram em esquema de revezamento durante todo o período festivo para impedir que o lixo se acumulasse nas áreas de maior circulação. O resultado expõe a dimensão da folia deste ano. Foram 29 toneladas de resíduos recolhidos, quase o dobro das 15 toneladas registradas no Carnaval anterior.
Para o subdiretor de Limpeza Urbana, Everaldo Araújo, o planejamento antecipado foi determinante para evitar impactos prolongados na rotina da cidade. Segundo ele, as equipes entravam em ação logo após o encerramento dos blocos, permitindo que os espaços públicos estivessem novamente disponíveis à população já nas primeiras horas do dia seguinte.
O aumento no volume de resíduos acompanha o crescimento do próprio Carnaval de rua. Com mais foliões circulando, impulsionados pela ampliação do acesso ao transporte e pela percepção de segurança, a pressão sobre os serviços urbanos também se intensificou.
Todo o material recolhido terá destinação sustentável e será encaminhado às cooperativas de reciclagem, reforçando uma cadeia que transforma o pós-festa em geração de renda.
Na linha de frente da operação, a percepção é de mudança gradual no comportamento do público. A gari Hillary Leal, que também integra o bloco Vassourinhas, formado por servidores do SLU, observou avanços na forma como parte dos foliões tem lidado com o descarte.
“Notamos que muitas pessoas já tentam separar o lixo corretamente. Isso facilita bastante o nosso trabalho”, relatou.
Com 17 anos de experiência, a gari Maria das Graças Cardoso destacou que essa colaboração vai além da organização e impacta diretamente a segurança das equipes. “Quando o lixo vem misturado com vidro ou objetos cortantes, o risco aumenta. Separar corretamente e descartar no momento certo faz toda a diferença”, alertou.
A rapidez da limpeza também influencia a percepção de quem circula pela cidade após os dias de festa. Para a professora Aritane Carvalho Nascimento, a resposta ágil do serviço público ajuda a preservar a imagem da capital. “É impressionante pensar no volume recolhido. Ver a cidade organizada logo depois de eventos desse porte mostra cuidado com o espaço público”, avaliou.
Enquanto parte da população ainda se recuperava da maratona carnavalesca, o trabalho das equipes de limpeza já devolvia à cidade sua rotina, transformando o fim da festa em recomeço urbano.









































