A elevação dos atendimentos infantis com sintomas respiratórios, comum nos períodos de queda de temperatura, levou a rede pública de saúde do Distrito Federal a ampliar o uso da telemedicina. Na última quarta-feira (1º), a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ceilândia passou a oferecer teleconsulta pediátrica, reforçando a estratégia de atendimento rápido para casos de menor complexidade.
Com a implantação, a unidade se junta a outras três que já contam com atendimento remoto exclusivo para crianças, Sobradinho, São Sebastião e Recanto das Emas, dentro de um modelo coordenado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF). No total, o DF já soma 11 UPAs com teleatendimento, incluindo a unidade do Paranoá, inaugurada no último dia 31.
A medida responde a um comportamento sazonal já conhecido pelas equipes de saúde: com o frio, cresce a procura por atendimento devido a quadros de tosse, febre e dificuldade respiratória, especialmente entre o público infantil. Nesse cenário, a teleconsulta surge como alternativa para dar vazão à demanda sem sobrecarregar o atendimento presencial.
Na prática, o serviço funciona como um filtro qualificado dentro da própria unidade. Após a classificação de risco, pacientes identificados com pulseira verde, indicativa de menor gravidade, podem optar pelo atendimento remoto. Antes da consulta, os responsáveis autorizam o procedimento por meio de termo de consentimento.
A criança, então, é encaminhada a uma sala equipada, onde permanece acompanhada por um profissional de enfermagem durante toda a consulta por vídeo. Cabe a esse profissional auxiliar na comunicação com o médico e garantir o suporte necessário ao atendimento. Ao final, as famílias já recebem orientações, encaminhamentos e, quando indicado, prescrição médica.
A proposta, segundo a gerente de Assistência das UPAs do IgesDF, Adriana Gonçalves, é tornar o fluxo mais eficiente. A avaliação é de que o modelo permite acelerar a resolução de casos simples e direcionar melhor a atuação das equipes presenciais. “Ao atender remotamente situações de menor complexidade, conseguimos concentrar os esforços da equipe nos casos que realmente exigem intervenção imediata”, afirma.
A reorganização do fluxo já começa a refletir na rotina das unidades. Na UPA do Paranoá, a gerente Juliete Souza observa melhora no tempo de espera e na organização do atendimento desde a chegada dos pacientes. A percepção é compartilhada pelas equipes assistenciais, que apontam ganhos em agilidade e resolutividade.
Na unidade de Ceilândia, onde o serviço começou a funcionar nesta semana, a aceitação também avança. A gerente Graziele Faria relata que os primeiros atendimentos já indicam redução no tempo de permanência de pacientes com quadros leves e maior fluidez no atendimento geral.
A experiência também tem sido bem recebida por familiares. A auxiliar de serviços gerais Laura Pereira da Silva levou o filho de dois anos à unidade e, inicialmente receosa com o formato remoto, aprovou o atendimento após a consulta. Segundo ela, a rapidez no processo trouxe alívio em um momento de preocupação.
Para a supervisora de Enfermagem Roberta Seabra, a iniciativa representa uma mudança importante na forma de organizar o cuidado. A avaliação é de que o uso da tecnologia contribui não apenas para ampliar o acesso, mas também para qualificar o atendimento prestado nas UPAs.
Com a ampliação do serviço, o governo aposta na telemedicina como ferramenta permanente para enfrentar picos de demanda e melhorar a experiência dos usuários nas unidades de urgência e emergência.








































