Levar atendimento de saúde até quem não tem endereço fixo é um dos maiores desafios da rede pública. No Distrito Federal, essa missão é assumida pelas equipes do Consultório na Rua, estratégia da Secretaria de Saúde (SES-DF), que atua diretamente nos territórios para alcançar pessoas em situação de vulnerabilidade extrema.
Em 2025, o trabalho resultou em 20,6 mil atendimentos individuais, contemplando 7.158 pacientes. As equipes oferecem desde consultas clínicas até procedimentos como curativos, coleta de exames, aplicação de medicamentos, vacinação e encaminhamentos para acompanhamento especializado dentro da própria rede pública.
Os dados também ajudam a traçar o perfil de saúde dessa população. Entre os agravos mais recorrentes estão a hipertensão arterial, os transtornos mentais e as complicações associadas ao uso de substâncias psicoativas, condições que exigem não apenas tratamento, mas também acompanhamento contínuo e estratégias adaptadas à realidade das ruas.
Ao analisar esse cenário, a gerente de Atenção à Saúde de Populações em Situação Vulnerável e Programas Especiais da SES-DF, Marianna Zambelli, destaca que os atendimentos revelam mais do que demandas clínicas. “O perfil etnorracial da população em situação de rua evidencia que a vulnerabilidade social não é aleatória. A predominância de pessoas pretas e pardas reflete processos históricos de desigualdade que impactam diretamente o acesso à moradia e aos direitos básicos”, afirma.
As equipes são formadas por profissionais de diversas áreas, incluindo médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais, além de trabalhadores de nível técnico. A atuação é itinerante e integrada às unidades básicas de saúde, permitindo que o cuidado não se limite ao primeiro atendimento.
Segundo Marianna, a estratégia representa uma mudança na lógica tradicional de acesso à saúde. “Quando a equipe vai ao encontro dessas pessoas, rompemos barreiras que normalmente impedem o vínculo com o sistema público. O Consultório na Rua garante que a ausência de endereço não signifique ausência de assistência”, ressalta.
Mais do que tratar doenças, o programa busca assegurar a presença do Estado em contextos de invisibilidade social. “O atendimento nos territórios transforma o direito constitucional à saúde em uma prática concreta, resgatando a dignidade e promovendo cidadania”, conclui.









































