O que antes parecia distante para muitos jovens da rede pública do Distrito Federal começa a se tornar uma possibilidade concreta. A nova edição do programa Pontes para o Mundo amplia significativamente o acesso ao intercâmbio internacional e deve levar 400 estudantes ao exterior em 2026.
A iniciativa, apresentada oficialmente nesta segunda-feira (23), no Cine Brasília, marca a expansão de um projeto criado no ano passado, quando 102 alunos participaram de intercâmbio no Reino Unido por até três meses. Agora, além das quatro nações britânicas, os estudantes também terão acesso a instituições no Canadá, na França e na Espanha.
Ao falar sobre a ampliação, o governador Ibaneis Rocha destacou o impacto direto da experiência na vida dos jovens. “Desde o primeiro momento, entendemos que esse programa teria um alcance muito grande. Não é comum oferecer esse tipo de oportunidade a alunos da rede pública, e isso faz toda a diferença na formação deles”, afirmou.
Segundo ele, a vivência internacional contribui para ampliar horizontes e influenciar outros estudantes. “Quem passa por essa experiência acaba inspirando colegas e mostrando que é possível ir além”, acrescentou.
A primeira-dama do DF, Mayara Noronha Rocha, também ressaltou o efeito do programa dentro das comunidades. “Esses jovens retornam com uma bagagem diferente e se tornam referência para quem convive com eles. É uma transformação que ultrapassa o aluno e chega até o seu entorno”, disse.
Já a secretária de Educação, Hélvia Paranaguá, reforçou o caráter ampliado da nova edição e incentivou a participação dos estudantes. “Estamos aumentando o número de vagas e abrindo novas possibilidades. Agora é o momento de os alunos se prepararem, acompanharem o edital e acreditarem nessa oportunidade”, destacou.
Para quem já viveu a experiência, o intercâmbio representa uma virada de chave. Estudante do Centro Educacional do Lago (CEL), Giovanna Borba participou da primeira edição e conta que a viagem mudou sua forma de enxergar o mundo. “Eu nunca tinha saído do país, e aquilo tudo parecia muito distante. Quando aconteceu, foi a realização de um sonho que eu carregava há muito tempo”, relatou.
No País de Gales, ela estudou em um college e teve contato com novas áreas do conhecimento. “Além do aprendizado em sala, a imersão cultural foi muito forte. Fui muito bem recebida e consegui aproveitar tudo ao máximo”, completou.
Experiência semelhante foi vivida por Hugo Galdino, do Centro de Ensino Médio Elefante Branco, que esteve na Inglaterra. Para ele, o maior ganho está na troca cultural. “Quando você conhece outras realidades, passa a entender melhor o mundo. É algo que amplia muito a forma como a gente enxerga as coisas”, afirmou.
Entre os estudantes que ainda sonham com a oportunidade, a expectativa cresce. Ana da Cruz, de 17 anos, aluna do Centro de Ensino Médio 3 do Gama, afirma que ver colegas participando do programa torna o objetivo mais próximo. “É um processo difícil, mas, quando você vê pessoas ao seu redor conseguindo, começa a acreditar que também pode chegar lá. Eu me preparo há bastante tempo para isso”, disse.
Já Joana de Andrade, também de 17 anos e estudante do Centro de Ensino Médio Integrado do Gama, vê no programa uma chance única. “Uma experiência como essa não faria parte da minha realidade de outra forma. Quando conheci o programa, entendi que precisava tentar”, afirmou.
Além da experiência internacional, o programa também prevê um retorno acadêmico. Os estudantes selecionados irão registrar os aprendizados em artigos que serão publicados na revista Com Censo Jovem, voltada à iniciação científica.
Editora-chefe da publicação, a professora Daphne Leandro destacou a importância da iniciativa. “A ideia é transformar essa vivência em conhecimento. Vamos reunir os relatos em um dossiê que valoriza o protagonismo dos estudantes e mantém o vínculo deles com a pesquisa”, explicou.








































