Em uma cidade onde cada segundo pode significar a diferença entre a vida e a morte, uma notícia positiva merece ser celebrada: o número de trotes recebidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) no Distrito Federal caiu para menos de 1% em 2024 — o menor índice desde a criação do serviço, há quase duas décadas.
Em um cenário onde, no passado, trotes ocupavam quase 6% das ligações ao serviço de emergência (como em 2019), o resultado atual — apenas 0,96% — representa mais do que uma simples estatística. É reflexo de uma transformação cultural e social.
De 2019 para cá, a queda foi consistente, ano após ano. Em 2023, por exemplo, das 765 mil chamadas registradas, cerca de 7,3 mil ainda foram trotes. Mas o número, apesar de ainda expressivo, foi quase cinco vezes menor do que o registrado quatro anos antes.
Para quem vive o dia a dia do atendimento de urgência, a mudança tem impacto direto na qualidade do socorro. A cada ligação falsa evitada, abre-se espaço para que uma ambulância chegue mais rápido a quem realmente precisa — alguém com um infarto, um acidente grave, uma criança engasgada. A vida agradece.
Essa mudança não aconteceu por acaso. Ao longo dos últimos anos, o Samu do DF investiu pesado em conscientização — e isso começa cedo. O projeto Samuzinho, que leva equipes de saúde a escolas do Distrito Federal, é um exemplo claro de como informação, educação e empatia podem formar cidadãos mais responsáveis.
Crianças e adolescentes aprendem de forma lúdica e prática a importância do serviço, os riscos dos trotes e ainda recebem noções básicas de primeiros socorros.
A redução também tem um lado mais rígido. Em 2023, o Governo do Distrito Federal passou a aplicar multas a quem usa o telefone da emergência de forma leviana.
O Decreto nº 44.427/2023 prevê punições que vão de um a três salários mínimos para quem fizer ligações falsas para o Samu, o Corpo de Bombeiros ou a Polícia. A regra é clara: brincar com o tempo e os recursos de quem salva vidas custa caro.
No fim das contas, o DF caminha para um cenário onde a tecnologia, a educação e a responsabilização ajudam a preservar o que há de mais valioso: a vida humana.